quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Filho de Pablo Escobar pede perdão pelos crimes do pai em filme

Da Folha Online

O último telefonema feito pelo chefão do narcotráfico colombiano Pablo Escobar antes de ser abatido a tiros em Medellín foi para o seu filho, e muitos imaginavam que Juan Pablo Escobar seguiria os passos do pai. Mas, 16 anos depois, Juan Escobar pede perdão às vítimas do pai em um documentário que estreia esta semana no festival de cinema de Mar del Plata, na Argentina.

O traficante colombiano Pablo Escobar e o filho Juan Pablo, atualmente Sebastián Marroquin, em foto tirada em Medellín
Juan Pablo Escobar fugiu da Colômbia em 1994, um ano depois de seu pai ser executado a tiros por forças de segurança colombianas. Desde então ele vive tranquilo em Buenos Aires, onde é arquiteto, usando o nome de Sebastián Marroquin. "Como membros da família Escobar, temos que assumir a responsabilidade pelo que aconteceu e pedir perdão por tudo o que a Colômbia sofreu em função dos crimes de meu pai", disse ele à Reuters.
Marroquin, 32, disse que decidiu abrir mão do anonimato em um esforço para promover a reconciliação em seu país natal, onde as forças de segurança continuam a combater traficantes de drogas que ocuparam o vazio deixado pelos grandes cartéis dos anos 1980 e 1990.
No filme "Los Pecados de Mi Padre" ("Os Pecados de Meu Pai", em espanhol), Marroquin conta a história de Pablo Escobar e encontra os filhos de duas das mais destacadas vítimas de seu pai: o ex-ministro da Justiça Rodrigo Lara Bonilla e o candidato presidencial Luis Carlos Galan.
Lara Bonilla e Galan ousaram bater de frente com Escobar e pagaram pela ousadia com suas vidas. O filho mais velho de Galan disse que o encontro com o filho de Escobar em Bogotá ajudou sua família a encerrar aquele capítulo triste de suas vidas. "Num primeiro momento nos sentimos muito nervosos e incomodados. Mas no final ficamos aliviados e nos libertamos dos sentimentos de ódio", explicou Claudio Galan. "Agradecemos a ele por isso".
Poderoso
Pablo Escobar foi o chefe supremo de uma das mais poderosas organizações criminosas do mundo e o foragido mais procurado da Colômbia. Milhares de pessoas morreram na violência desencadeada por seu cartel de Medellín. De acordo com a revista Forbes, a fortuna de Escobar chegou a mais de US$ 3 bilhões.
O filme oferece um vislumbre da vida familiar de Escobar. Marroquin recorda como o chefão do narcotráfico lia histórias para sua irmã menor na hora de dormir e o ensinou a andar de bicicleta. Ele também descreve as casas da família, as viagens ao redor do mundo e como seu pai encomendou mais de 200 animais exóticos, que foram enviados de avião a sua fazenda, a Hacienda Nápoles.
"Eu me sentia como se tivesse nascido na Disneylândia. Eu curtia aquele clima mágico, mas ele não durou", disse ele.
Tudo mudou quando Escobar ordenou o assassinato de Lara Bonilla. No dia seguinte, a família fugiu para o Panamá e, mais tarde, foi viver escondida em Honduras. Quando eles retornaram à Colômbia, tiveram medo de ser sequestrados ou mortos pelos muitos inimigos do chefão. Marroquin disse que a vida se tornou insuportável quando as forças de segurança apertaram o cerco a Pablo Escobar, antes de matá-lo.
Durante uma invasão da polícia, a família foi obrigada a sobreviver por uma semana com apenas uma panela de dobradinha embolorada, apesar de ter US$ 2 milhões em dinheiro vivo nas malas. "Isso faz você perceber que o dinheiro das drogas não pode salvá-lo", disse Marroquin. "Tínhamos US$ 2 milhões na mão, mas estávamos quase morrendo de fome e não podíamos comprar nem sequer um quilo de arroz."
A repressão implacável movida pelo governo vem melhorando a segurança na Colômbia nos últimos anos, mas assassinatos e sequestros ligados ao narcotráfico continuam a devastar a vida do maior produtor mundial de cocaína, mais de 15 anos após a morte de Escobar. Marroquin espera que o filme incentive o diálogo na Colômbia.
"Chegou um momento em que preservar minha vida se tornou menos importante que lutar por algo maior", disse ele. "Posso ser um sonhador, mas fiz esse filme devido a essa convicção".

Maior empresa do Brasil, Petrobrás seria a 3ª nos EUA

Do Portal Vermelho

Se a Petrobrás e a Vale fossem americanas, ocupariam a 3ª e a 15ª posição, respectivamente, num ranking que reúne as 20 maiores companhias abertas dos Estados Unidos. O ranking foi elaborado na segunda-feira pela Economática com base no valor de mercado dessas empresas.
A Petrobrás, avaliada em US$ 207,9 bilhões no dia 9, está apenas atrás da Exxon Mobil, cujo valor de mercado era de US$ 345,8 bilhões nessa data, e da Microsoft Corporation, avaliada em US$ 257,4 bilhões. Nessa lista, o valor de mercado da Petrobrás supera, por exemplo, o do Walmart, o maior varejista do mundo (US$ 200,6 bilhões), a Apple, gigante de equipamentos de informática (US$ 181,5 bilhões) e o Google, por exemplo, que vale US$ 178,5 bilhões.
Já o valor de mercado da Vale nesse ranking é de US$ 141,9 bilhões, cinco posições à frente da Coca-Cola, avaliada em US$ 128,6 bilhões. Excluindo a Petrobrás desse ranking, a companhia ocuparia a 14ª posição. Numa análise comparativa, desde o início do governo Lula até hoje, a Petrobrás subiu 118 posições nesse ranking, enquanto a Vale ascendeu 139 posições, excluindo a Petrobrás.
Segundo o gerente de Relações Institucionais da Economática e responsável pelo estudo, Einar Rivero, dois fatores contribuíram para a ascensão das companhias brasileiras. O primeiro, e o que mais pesou, foi a recuperação do valor de mercado das empresas depois da crise. O segundo fator foi queda do dólar em relação ao real, de 27% neste ano. Com isso, o valor de mercado em dólar das companhias abertas brasileiras cresceu por causa do câmbio.
Pico de valor de mercadoApesar da recuperação, o valor de mercado tanto da Petrobrás como da Vale é menor que o estimado em 2007. “O ano de 2008 foi trágico para as companhias abertas”, afirma Rivero. No ano passado, a Petrobrás ocupava 17 ª posição nesse ranking e valia US$ 95,8 bilhões, depois de ter alcançado a 5ª posição em 2008, sendo avaliada em US$ 242,7 bilhões.
No caso da Vale, a companhia estava na 32ª posição no ranking em 2008 e valia US$ 58,5 bilhões. Em 2007, ocupava a 17ª posição e estava avaliada US$ 152,7 bilhões. Mesmo com a recuperação do valor de mercado, a Petrobrás hoje vale quase 15% menos que em 2008. No caso da Vale, o diferencial é bem menor, de 7%.
Segundo o estudo, entre 31 de dezembro de 2002 e o dia 9 deste mês, a Petrobrás conseguiu ficar sete vezes na segunda posição no ranking das empresas americanas.

STF proíbe a posse de quase 8 mil vereadores

Do Valor Econômico

O Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu, ontem, a posse de 7.709 novos vereadores. A decisão foi tomada no julgamento de ação proposta pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) contra a Emenda Constitucional nº 58, que determinou a posse de suplentes em diversos municípios do país.
A emenda foi promulgada em 23 de setembro e, logo, em seguida, as cerimônias de posse de suplentes foram realizadas em algumas cidades, como Conselheiro Pena, em Minas Gerais, e em Bela Vista de Goiás.
Em 2 de outubro, a relatora do processo, ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha, concedeu liminar para evitar futuras posses e derrubar as antigas. Ontem, a liminar da ministra foi confirmada pelo plenário do STF. Com isso, os suplentes não podem assumir o cargo de vereador e aqueles que assumiram antes da concessão da liminar terão de deixar o cargo.
O julgamento foi marcado por duras críticas dos ministros do STF ao fato de o Congresso ter aprovado emenda que permitiria a posse em cargo eletivo de políticos que não foram vitoriosos nas urnas.
"Essa alteração "a posteriori" causa insegurança jurídica, podendo até a alterar o resultado para quem já foi eleito, com a mudança do coeficiente eleitoral", advertiu o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes. O coeficiente é o cálculo que é feito logo após a eleição para determinar os eleitos segundo os votos dados aos candidatos e também pelos votos dados aos partidos. O alerta de Mendes é que, ao aumentar o número de eleitos, a emenda levaria a novos cálculos e, portanto, a uma disputa sem fim para saber quem seria o dono dos mandatos.
"O que se tem aqui é uma norma casuística porque ela tende a retomar um processo eleitoral já exaurido", criticou o vice-presidente da Corte, ministro Cezar Peluso.
"É através do mandato que o regime representativo se materializa", enfatizou o decano do tribunal, ministro Celso de Melo. "E ele tem a sua origem na vontade dos eleitores."
"Um juiz vota com a razão, e não com o coração", afirmou o ministro Dias Toffoli, o mais novo na Corte. "O meu coração pode estar com os suplentes de vereadores, mas a minha razão está com a Constituição."
Apenas o ministro Eros Grau foi contrário. Para ele, a emenda não feriu o processo eleitoral.
Antes de a emenda ser aprovada, o Brasil tinha 51.748 vereadores. A partir de 2012, terá 59.457 se a emenda não for derrubada. Isso por que o STF ainda terá de julgar o mérito da ação da OAB que pede a declaração de inconstitucionalidade da emenda. Ontem, os ministros julgaram apenas o pedido de liminar para impedir a posse imediata dos vereadores. (JB)

Battisti pode ficar no País, mesmo com decisão do STF

Do Estado de S. Paulo

Mesmo que o Supremo Tribunal Federal (STF) autorize hoje a extradição do ex-ativista italiano Cesare Battisti, não é certa sua saída imediata do País. Primeiro, porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá, mesmo respeitando o tratado de extradição firmado com a Itália, negar-se a entregá-lo, sob o argumento de haver temor de perseguição política. Segundo, porque Battisti responde a processo criminal no Brasil por falsificação de documento e posse de passaporte falso. E, terceiro, porque um pedido de liminar deverá ser protocolado na Corte Interamericana de Direitos Humanos e na Corte de Haia para que Battisti não seja entregue à Itália.
Na sessão de hoje, os ministros deverão inicialmente concluir a votação do pedido de extradição, julgamento suspenso no dia 9 de setembro. A tendência indicada naquela sessão era da autorização para que Battisti fosse entregue à Itália para cumprir a pena.
Mas os ministros precisarão, além disso, discutir se o presidente da República estará obrigado, após o julgamento, a entregar o ex-ativista à Justiça italiana. Parte dos ministros entende que o presidente pode, discricionariamente, deixar de extraditar Battisti. Pelo texto do acordo de extradição entre Brasil e Itália, o presidente pode impedir a medida, desde que haja fundado temor de perseguição política. No governo, ninguém se arrisca a dizer se Lula estaria disposto a isso.
Já o processo que tramita na 2ª Vara da Justiça Federal certamente demorará até que seja julgado em última instância. Pela legislação brasileira, um estrangeiro que cumpre pena no Brasil ou responde a processo por aqui deve esperar o fim da pena ou o julgamento para depois ser extraditado. A não ser que o presidente da República julgue ser conveniente extraditá-lo imediatamente.
Um grupo de advogados está com processo praticamente pronto para questionar em organismos internacionais uma eventual decisão do Supremo de anular a concessão de refúgio pelo governo brasileiro e de autorizar a extradição de Battisti. Entre os argumentos, o entendimento de que a Organização das Nações Unidas (ONU) não prevê a possibilidade de anulação, em processo judicial, da concessão de refúgio. De acordo com fontes do governo, esses três pontos deverão, no mínimo, atrasar a extradição de Battisti.
Na sessão de hoje no Supremo, a discussão deve começar pela suposta prescrição dos assassinatos que levaram a Justiça italiana a condenar Battisti. O ministro Marco Aurélio Mello deve argumentar que os crimes já estão prescritos. A tese não tem a concordância do relator do processo, ministro Cezar Peluso, que diz ter sido suspensa a contagem do prazo quando Battisti foi preso no Brasil, há dois anos. Se a tese da prescrição prevalecer, o processo será arquivado.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Álcool volta a subir e só leva vantagem sobre a gasolina em 10 Estados

Do Valor Online

O preço do álcool subiu 1,53%, em média, no país na última semana de outubro em comparação com a semana imediatamente anterior, enquanto a gasolina avançou 0,27% na mesma comparação. Assim, apenas em dez Estados os motoristas de carros flex fuel continuaram a se beneficiar dos preços do álcool ao abastecer os veículos.
Dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostraram que em 16 unidades da Federação e no Distrito Federal os preços do etanol, entre 25 e 31 de outubro, cobrados nas bombas superaram o patamar de 70% do valor da gasolina.
O valor de 70% da gasolina é considerado o limite para que o preço do álcool permaneça vantajoso, uma vez que o rendimento do derivado de petróleo é superior ao do etanol.
Na média da última semana de outubro, o preço médio do álcool no país foi de R$ 1,654 por litro, 65,55% do valor de R$ 2,523 cobrado, em média, pela gasolina. Mas na abertura dos dados por Estado, apenas Alagoas, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rondônia, São Paulo e Tocantins apresentaram preços do álcool vantajosos em relação à gasolina.
O melhor custo benefício foi de São Paulo, maior produtor de etanol do país, onde o preço médio do álcool, de R$ 1,504, representava apenas 62,79% do valor de R$ 2,395 cobrado pela gasolina. A pior relação estava em Roraima, onde o preço médio do álcool foi de R$ 2,155, o equivalente a 79,99% dos R$ 2,694 cobrados pelo litro da gasolina.

Vox Populi: sites e blogues superam revistas e jornais somados

Do Blog do Rovai

Pesquisa encomendada pelo Grupo Máquina ao Vox Populi que ouviu 2,5 mil pessoas e teve seu resultado publicado no Meio Mensagem desta semana reforça a tese insistentemente defendida aqui.
O levantamento mostra que a principal fonte de informação do brasileiro ainda é a TV com 55,9% da preferência dos entrevistados, mas o segundo já são os sites de notícias e blogues, com 20,4%, um resultado fantástico para um tipo de comunicação que ainda não chegou à adolescência.
E mais fantástico ainda porque é o dobro do público que se informa por jornais impressos, preferidos de 10,5%. E quase três vezes mais do que o rádio, com 7,8%.
Não pensem, porém, que a força da internet se resume à força de sites e blogues. As redes sociais já contam 2,7% da preferência dos pesquisados como fonte primeira de informação, estando à frente dass versões online dos jornais, 1,8%, e das revistas impressas, com 0,8%. Um
Em relação à credibilidade, os sites e blogues jornalísticos também ocupam boa posição. Neste quesito, o rádio está em primeiro lugar com nota média de 8,21 e os sites e blogues jornalísticos estão um centésimo atrás com 8,20.
Só depois aparecem TV, 8,12, jornais online, 8,03, jornais impressos, 7,99, revistas impressas, 7,79, redes sociais, 7,74, e revistas online, 7,67.
Há alguns dias escrevi aqui que não se pode mais denominar de grande mídia os jornais diários brasileiros, dada a irrelevância das tiragens que têm. Esta pesquisa só reforça a tese de que cada vez mais brasileiros estão formando sua opinião de forma horizontal, a partir de espaços onde não são apenas espectadores, mas também analistas e produtores de informação.

Alencar luta para se livrar de doença e ser candidato ao Senado

Do Jornal do Brasil

A luta do vice-presidente da República, José Alencar, contra um câncer no abdômen não o impede de fazer planos para o futuro. Em entrevista a um jornal de São Paulo, publicada na edição desta segunda-feira, Alencar afirmou que gostaria de se candidatar ao Senado nas eleições de 2010, mas que a candidatura vai depender do resultado de exames. Alencar trata há 12 anos da doença e já passou por 15 cirurgias.
– Se Deus me curar, eu terei todas as condições de ser candidato. Se você perguntar 'o que você gostaria de fazer', (a resposta é) eu gostaria de me candidatar ao Senado. Vai depender do resultado dos exames. Se eu tiver bem, eu posso levar meu nome. Se os eleitores quiserem, eu volto para o Senado – afirmou ao jornal Folha de S. Paulo.
Segundo a reportagem, o vice se emociona ao falar dos bons resultados no tratamento e o carinho que recebe de brasileiros.
– Os exames mostraram uma redução muito grande nos tumores. Era uma coisa que até não era esperada. Estou passando muito bem, não tive problema algum, trabalhando normal como se não tivesse nada. Além disso, há, e muita gente não acredita, uma verdadeira corrente no Brasil inteiro de pessoas que me mandam cartas, mensagens, remédios, ervas, uma coisa nunca vista. O que eu tenho recebido, o que chega, não tem gabinete que consiga catalogar. As manifestações são fantásticas – concluiu.

Mais controle sobre os municípios

Do Monitor Mercantil

Foi promulgada a Emenda Constitucional 58/09 alterando o artigo 29, IV bem como alterando a redação do artigo, 29-A, caput, todos da Carta da República.
Não é de hoje que o Constituinte derivado vem exercendo um controle cada vez mais contundente sobre os gastos municipais. Tal minudência se explica pelos desmandos administrativos que sempre nortearam diversas administrações públicas municipais.
Doravante, o número máximo de vereadores está precisamente determinado pela Lei Maior, suprindo-se qualquer espaço para interpretações casuísticas.
Da mesma forma o limite total das despesas do Poder Legislativo Municipal, que antes poderia variar entre oito e cinco por cento do total da receita municipal, passa a ter limites mais estreitos, ou seja, de sete a três inteiros e cinco décimos por cento para municípios com população acima de oito milhões e um habitantes.
Na prática isso significa que vai sobrar mais dinheiro para ser investido pelo Poder Executivo em políticas públicas de educação, saúde e lazer, beneficiando de forma direta toda a municipalidade.
Para aqueles que criticam tais medidas como sendo uma forma de usurpação da autonomia municipal, cabe lembrar que liberdade traz responsabilidade, quando a segunda falta, a primeira é inexoravelmente reduzida.

Sylvio Motta
Professor de Direito Constitucional, coordenador da Companhia dos Módulos, e editor de concursos da Campus/Elsevier.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

As imagens repetidas


Do Observatório da Imprensa


Por Rodrigo C. Vargas



Em 1989 o mundo assistiu pela tevê – de forma espetacular – a queda de um símbolo de opressão e intolerância: o Muro de Berlim. Aquelas imagens foram repetidas incansavelmente, e talvez por isso a importância do fim da Guerra Fria e da divisão ocidental e oriental na Alemanha tenham perdido eficiência diante da anestesia imagética exaustiva. O resultado disso é que aquele muro caiu; no entanto, muitos outros foram erguidos com o mesmo objetivo: separar pessoas.



"Não existe uma ordem da vida humana, ou de nossa maneira de ser, ou da natureza humana à qual possamos nos referir para julgar ou avaliar os modos de vida. Existem apenas diferentes ordens impostas pelos homens ao caos primitivo, segundo sua vontade de potência" (Charles Taylor)



** Em 2006, o Senado americano aprovou a construção do muro em 1.125 dos 3.141 quilômetros de fronteira com o México.



** O governo de Ariel Sharon, sob o pretexto de evitar a infiltração de terroristas suicidas palestinos, começou a construir em 2002 um muro separando Israel da Cisjordânia. A barreira corta 721 km de terras palestinas e isola cerca de 450.000 pessoas.



** 500 quilômetros de redes metálicas e fios elétricos separam Botsuana do Zimbábue, no sul da África. Trinta por cento de todos os diamantes do planeta saem das minas de Botsuana. Já Zimbábue é um país miserável.



** O condado argentino de San Isidro, localizado na parte norte da Grande Buenos Aires, iniciou a construção de um muro cobrindo uma área total de 16 blocos e medindo 3 metros de altura, criando uma barreira com a localidade vizinha de San Fernando. De acordo com as autoridades de San Isidro, o muro serve para trazer mais segurança para a população que constantemente é roubada por pessoas do distrito vizinho.



** A fronteira Índia-Bangladesh tem cerca de 3 mil quilômetros e parte já está separada por uma cerca eletrificada. O governo indiano alega que essa foi a única forma de deter extremistas islâmicos e reprimir o tráfico de seres humanos e o contrabando de mercadorias.



Exemplos do passado


** 200 quilômetros de extensão separam a Coréia do Norte da Coréia do Sul. É a fronteira mais vigiada e explosiva do mundo.



** 27 quilômetros de muro cortam os bairros de Belfast dividindo a cidade entre protestantes e católicos. Dominada há séculos pelo Reino Unido, a Irlanda do Norte é palco de antigo conflito entre protestantes (58% da população) e católicos (42%), que vivem lado a lado. Os da maioria querem continuar súditos da rainha e a outra parte, independência. Quase 4 mil pessoas foram mortas em conflitos entre os dois lados.



Os mais antigos


** O muro de Hadrien, construído de 122 a 127 d.C. protegia a Grã-Bretanha no período em que as ilhas eram dominadas pelo império romano. Sua extensão era de uma centena de quilômetros, do Mar da Irlanda ao Mar do Norte.



** O mais antigo é a Grande Muralha da China, construída no século 3 a.C., em 2.700 quilômetros, para certificar que o Império do Meio não fosse atacado pelos cavaleiros vindos da Ásia Central.


Separar os diferentes não faz durar os que se acham iguais. A descrença em tudo é a nova ordem. O homem é descrente, menos quando consome. Uma lógica simples que conduz a gastar mais e questionar menos. É preciso desconstruir esse mundo e não destruí-lo.

O Muro do Rio

Do O Globo

As favelas do Rio serão isoladas por muros de três metros de altura. É o que afirma a reportagem publicada na edição desta terça-feira do jornal inglês 'The Times'. De acordo com o jornal, os muros em construção pelo governo ao redor das favelas nos morros do Rio de Janeiro estão dividindo ainda mais uma cidade já separada entre ricos e pobres. O diário lembra a polêmica criada com o anúncio da construção dos muros, afirmando que as barreiras vão segregar os milhares de moradores das favelas em guetos, longe dos bairros ricos.
A reportagem afirma ainda que poucos acreditam na justificativa do governador Sérgio Cabral para a construção dos 14 quilômetros de muro em 13 favelas: preservar a mata atlântica que ainda existe da cidade. De acordo com o jornal, "numa cidade que é rachada pela violência, desconfiança e desequilíbrio social, é difícil acreditar" no plano de preservação.